O primeiro ciclista CEARENSE a viajar de bike por todas capitais do BRASIL

Minha viagem foi assim


Rodovias compridas,cortando montanhas, atravessavam rios caudalosos.                                     Muita vida havia nas estradas, revoadas de tucanos, araras-azuis, periquitos,Falcões e grandes aves de rapina,Tatus, lobos, lagartos,cavalos,freqüentemente atropelados,havia também os tamanduás mirins.                                                                                                                                                       Os andarilhos, estão por todo o lugar, e formam um verdadeiro exército de caminhante, que cruzam o Brasil com a sua bolsa ou seu papo de ema (espécie de saco com alça), levando sempre sua vasilha para acondicionar a comida que ganham.                                                                     Eles tem um vocabulário próprio, e dizem que tem propriedades, família mas escolheram este jeito de viver, conseguem dinheiro pedindo para os caminhoneiros e igrejas, costumam beber e vivem à girar. Cavaleiros montados sobre rodas, são como lendas vivas, sempre se ouve estórias de aventureiros que foram vistos ou passaram por lugares, mesmo á dois ou mais anos atrás, ainda são lembrados. Pessoas se identificam com estes seres que procuram a liberdade e a imensidão como os garimpeiros. Elas também sempre contam estórias de suas viagens, mostrando o quanto são aventureiras.                                                                                               O que eu estava fazendo era algo parecido com um trabalho de risco, passava o dia todo transpondo horizontes                                                                                                      .                                       Mas o trabalho arriscado tinha a sua compensação.                                                                                         Onde eu chega-se era rodeado por curiosos que lançavam perguntas uma encima da outra: se éra uma promessa, uma competição, quantos pneus já gastei, quantos já furou, quantos quilômetros já andei, se eu me comunico com minha família.

Algo que marcou essa viagem foi a diversidade, as culturas que são riquíssimas, a vegetação que foi se transformando, e com isso os seres que habitavam as matas foram mudando no decorrer da viagem. Entendendo que a grande função do cicloviajante é proporcionar a transição entre culturas, numa velocidade em que se possa compreender. Eu fiz uma viagem para fora do meu horizonte, mas ao mesmo tempo mergulhei no meu interior, descobrindo a minha relação como o planeta, o tamanho da minha casa, o meu relacionamento com as pessoas que são como irmãos, e o meu limite físico e a força do meu instinto de sobrevivência, não fiquei sozinho no meio das pessoas, mas senti a solidão na estrada, as quando fazia dezenas de quilômetros sozinho mesmo. E tive momentos de tremenda alegria e um sentimento raro de amplidão misturado com liberdade. 

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