QUIXADÁ CEARÁ :Acusado de ter matado três PMs se entrega; três suspeitos seguem foragidos

Apresentou-se nesta terça-feira, 1º, na Delegacia Regional de Quixadá, Sertão Central do Estado, um dos suspeitos de participar na morte de três policiais militares em junho deste ano. David William Lázaro, de 31 anos, "negociava" entregar-se há pelo menos duas semanas, conta a titular da delegacia, Ana Cláudia Nery. Contra ele, além do mandado de prisão pelo triplo homicídio, constava ordem de prisão temporária por ataques a caixa eletrônico. "Deivim", como é conhecido, já se encontra na Cadeia Pública do Município.

Redação O POVO Online
David William é o segundo suspeito preso por participação no crime que vitimou o sargento Francisco Guanabara Filho, de 50 anos; o soldado Antônio Lopes Miranda Filho, 33 anos; e o cabo Antônio Joel de Oliveira Pinto, 33. Também está preso Fábio de Oliveira Rabelo, o "Fábio Bombado". Este foi reconhecido por vítimas da série de crimes que culminou com o triplo homicídio, procedimento pelo qual David William ainda passará. Em 4 de julho, havia sido morto em confronto com policiais José Adailson da Silva, conhecido como "U", que teria ajudado na fuga dos criminosos

Ainda seguem foragidos outros três suspeitos já identificados: Veridiano Rabelo Cabral Júnior, José Nobre do Nascimento Filho e José Massiano Ribeiro. Este é proprietário de um casa em que se esperava os criminosos para comemorar a ação, apurou a investigação. A delegada Ana Cláudia Nery ainda decidirá o inquérito será desmembrado para indiciar somente os que já foram presos ou se encaminha a peça ao Ministério Pública (MP) mesmo com foragidos.

Na oitiva de terça-feira, 1º, David William negou ter atuado diretamente na execução, em depoimento "recheado de contradições", segundo a delegada. "Não restam dúvidas de que ele pertence à organização", afirma a delegada. Mesmo que ele não tenha disparado contra os policias, a participação na quadrilha basta para acusá-lo pelos homicídios, completa. Ainda segundo a delegada, David William disse ter medo de retaliação devido à natureza do crime, mas foi assegurada a integridade física dele, assim como aconteceu com Fábio Bombado.
A investigação ainda apura o envolvimento de mais pessoas nos crimes. O inquérito transcorre em segredo de justiça e por isso a delegada não quis repassar mais informações.

O crime
A investigação policial apurou que os criminosos se preparavam para atacar um banco quando se depararam com os policiais, que averiguavam uma denúncia de roubo de carro. Houve confronto e os três PMs foram mortos. Após o tiroteio, os criminosos fugiram em direção a Ibaretama, cidade vizinha a Quixadá. Eles se juntaram a homens em um veículo Ônix, que desobedeceu ordem de parada de policiais acionados para reforçar a primeira equipes. Os homens renderam os policiais acionados para o reforço e fugiram na viatura policial, mantendo dois PMs como reféns — abandonados mais adiante.

Na fuga, os criminosos ainda fecharam a rodovia, usando a viatura tomada de assalto, a Hilux que usavam e um caminhão também fruto de roubo. Em seguida, o grupo roubou um carro modelo Fiat Strada, vermelho, e fugiu por uma estrada carroçável em direção ao distrito de Caio Prado, zona rural de Itapiúna (a 55 quilômetros de Quixadá).

Saiba Mais
Dezenove dias após as mortes dos PMs, um novo triplo homicídio foi registrado em Quixadá, tendo como vítimas pai e irmão de Veridiano Júnior: Veridiano Rabelo Cabral, 68, e Sadock Camurça Cabral, respectivamente. O crime ainda vitimou o advogado que os representava, Josenias Saraiva Gomes, 40. A ação ocorreu instantes depois deles saírem da delegacia, onde esclareciam informações que apontavam participação deles na morte dos policiais.

Segundo apuração da Polícia Civil, a família de Veridiano costumava atuar junto com a "Quadrilha dos Pipocas", grupo acusado de crimes como tráfico de drogas, ataques a banco, pistolagem e lavagem de dinheiro — tendo para tal empresas como madeireiras e postos de gasolina. Ana Cláudia Nery afirma ter circulado uma informação de que Veridiano Júnior contava que, caso fosse preso, iria delatar os integrantes do grupo.

A delegada Ana Cláudia Nery afirma não haver indícios de que o comerciante Cristiano da Silva, 42 — assassinado em 8 de julho último —, participava da quadrilha responsável pela morte dos policiais. Foi cogitado que este envolvimento seria a razão pela qual ele foi morto.
Redação O POVO Online

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