06 outubro 2016

Projeto de Ciclovia de BH foi descartado por influência de vereadores

Como contrapartida da expansão de um shopping no bairro Anchieta, em Belo Horizonte, era prevista a construção de uma ciclovia com 2 quilômetros de extensão, incluindo a avenida Francisco Deslandes, que ofereceria maior segurança aos ciclistas, além de atrair mais pessoas ao meio de transporte.
Resultado de imagem para ciclovias no brasilResultado de imagem para ciclovias no brasil
A medida já é usada em outras capitais. Em São Paulo, por exemplo, a construção de duas linhas de monotrilho prevê a construção de ciclovias por debaixo da linha. Também na capital paulista, a compensação de grandes polos geradores de tráfego, como o caso de um empreendimento na bairro da Barra Funda, exigiu a construção de uma via para ciclistas em avenida da região.
Entretanto, em Belo Horizonte, após a votação da proposta na Câmara dos Vereadores, a construção da via para bicicletas foi vetada, sob o pretexto de que parte dos moradores do bairro não estava satisfeita com uma eventual redução de vagas de estacionamento e pelo estreitamento da via. A Operação Urbana Simplificada (OUS) manteve os outros investimentos na região, que devem custar R$ 2,7 milhões. A ciclovia custaria em torno de R$ 485,7 mil, bancado pela iniciativa privada.
FONTE : FOTOS GOOGLE

A retirada do projeto da ciclofaixa não foi bem recebida por aqueles que seriam os maiores beneficiados com a obra, e que são um dos elos mais frágeis no trânsito: os ciclistas. Em conversa com Gabriel Castro, do coletivo BH em Ciclo, o cicloativista conta que a região é extremamente adensada de moradias, e que faltam opções de transporte.
“A ciclovia seria implantada em um bairro com ruas muito estreitas e que têm recebido construções de prédios residenciais enormes. Não há mais espaço para tanta gente se locomover de carro por lá. Levar outro meio de mobilidade é interessante porque a ciclovia faria ligação direta com uma das principais ciclovias de BH, que leva a região central facilmente”, afirma Gabriel ao Vá de Bike.
Segundo o ciclista, a ciclovia poderia ser usada, além do transporte, no lazer da população. “As opções de lazer do bairro não são muitas e em BH tem se visto várias e várias famílias passeando de bicicleta nos fins de semana”, conta Gabriel.

Campanha contra ciclovia

De acordo com o ciclista, os vereadores Sérgio Fernando (PV) e Joel Gomes Moreira Filho (PTC) se mobilizaram contra o projeto, e organizaram reuniões no bairro Anchieta com moradores e comerciantes, expondo o lado contrário à politica de mobilidade ativa. Joel Moreira Filho é morador do bairro Anchieta e criou a página Anchieta Alerta, como parte da campanha anti-ciclovia. Existem relatos até de folhetos contra o projeto.
“Em nenhum momento, Joel apresentou estudos ou qualquer reportagem para provar suas justificativas contra a ciclovia. Recebeu apoio de alguns moradores, que chegaram a justificar sua posição contrária alegando que “essa ciclovia vai aumentar o número de atropelamentos de idosos no bairro”.
Gabriel ainda conta que o vereador criou uma enquete em seu site, e que nela, 64% dos votos eram a favor da ciclovia. “Mas ele fechou a reunião que presidiu falando que o resultado era o contrário”, conta o ciclista.

Transporte ativo supera uso de automóveis

A capital de Minas Gerais, assim como toda região metropolitana, necessita de políticas públicas para a segurança de quem pedala. De acordo com a Pesquisa Origem e Destino, realizada pela Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana (Segem), a bicicleta representava em 2012 uma média de quase 130 mil viagens diárias, principalmente para chegar aos locais de trabalho (35,3%) ou instituições de ensino. Só na capital foram 28.248 deslocamentos.
Com números relativos, o estudo mostra que deslocamentos a pé ou de bicicleta responderam por 37,7% das viagens realizadas naquele ano na Grande BH, mais que os 31,4% de transporte coletivo e os 30,8% de transporte individual motorizado, como carros e motos. Comparando 2002 com 2012, o transporte ativo cresceu 171%, índice maior que os 121% de aumento dos coletivos.
Em contrapartida, o número de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas aumentaram 35% de janeiro a agosto de 2015 em Belo Horizonte, segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares

MAIS LIDA

Postagens populares