21 setembro 2016

PENTECOSTE-CEARÁ : Por uma campanha sem baixaria

Adversário político em meu dicionário não é sinônimo de inimigo.

 
Divirjo de ideias, de propostas, de entendimento, de posicionamentos ideológicos, filosóficos e religiosos. Discordância e concordância são palavras cognatas que derivam de uma mesma origem etimológica. Discordo, sou convencido, concordo.
Pelo diálogo é possível transformar um adversário em aliado; é possível convencer um eleitor a abraçar sua causa; é possível estabelecer consenso em torno de um projeto de interesse comum: o bem-estar social, econômico e financeiro de todos.
A escolha do prefeito não acontece em uma arena entre gladiadores. O vencedor não será aquele que tem a torcida mais estridente e muito menos aquele que mais mente, difama, ataca, critica e menos se compromete com a cidade e sua população.  Os cidadãos e cidadãs votantes querem propostas e motivos para acreditar em seus proponentes.
 Essa fase é marcada por visitas às comunidades, interação com lideranças populares, excesso de ingestão de café, reuniões e, claro, muitos abraços afetuosos e os tradicionais tapinhas nas costas. 
É tempo de eleição e eleição é sempre um espetáculo democrático que não garante a escolha de um gestor comprometido com os postulados da democracia. O bom da eleição é a campanha eleitoral. Gente na rua, carro de som, reuniões, palestras, discursos, panfletos, santinhos, promessas. Todos os candidatos tiram da cartola a solução mágica para todo e qualquer problema que afeta a população. Uma panaceia!
Cabos eleitorais mais afoitos não se limitam a destacar as virtudes de seus candidatos, gostam mesmo é de realçar os defeitos dos adversários. E todo adversário é um poço sem fim de defeitos. Se o adversário é candidato à reeleição, logo alguém grita: não fez nada, foi um anátema. Não merece continuar.
Se o adversário é novato na política, então é inexperiente, imaturo e despreparado para exercer o cargo que disputa. O candidato geralmente é confundido com seus apoiadores, como se o naufrago pudesse escolher o tipo de embarcação para salvá-lo.
Alguém já disse que na guerra e na política o primeiro a morrer é a verdade. Mas também já foi dito ser possível votar e defender um candidato sem ser coveiro da verdade.


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