03 dezembro 2015

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA BICICLETA NÃO TÊM COLORAÇÃO PARTIDÁRIA!

Foto: André Tambucci / Fotos Públicas
Foto: André Tambucci / Fotos Públicas
Vivenciamos tempos sombrios no debate sobre as políticas públicas para bicicleta em São Paulo. Cada quilômetro novo de ciclovia é o estopim para um ciclista ser chamado de “comunista”, o prefeito de “suvinil” e qualquer um que aplauda medidas importantes de equidade na distribuição dos espaços públicos ser chamado de “petralha”.
A defesa pela manutenção do status quo e do apartheid social do trânsito nosso de cada dia está trazendo prejuizos não apenas para a (baixa) qualidade dos debates públicos, mas para as políticas públicas em si.
As próprias ciclovias são um exemplo disto. O debate público, ao invés de amadurecer para a discussão sobre a importância das ciclovias para a inclusão social e o direito à cidade, por exemplo, ficou estagnado na cor (vermelha) das estruturas e nas discussões do “não sou contra ciclovias, MAS…”.
A redução dos limites de velocidade na cidade, outro exemplo do emburrecimento do debate público, ficou restrita a piadas sobre ciclistas ultrapassarem carros a 50 km/h nas marginais, à famigerada “indústria da multa” e ao prefeito stalkeador de motoristas apelidado de Raddard. A redução dos atropelamentos e colisões, já comprovada, associada a uma melhora da fluidez para quem está dentro do carro (vejam só!) foram, simplesmente, ignoradas.
O debate sério sobre a mobilidade urbana em São Paulo parece não dar likes e não gerar comentários nas redes sociais.
Quem aposta que bicicleta é “coisa de comunista, petista, esquerdista” comete um grave equívoco de interpretação histórica e política (no Brasil e no mundo). Assim como dizer que bicicleta é “coisa de coxinha, tucano, conservador”.
O cenário internacional dos últimos 15 anos, pelo menos, nos oferece uma excepcional leitura da importância de políticas para a mobilidade por bicicleta completamente dissociadas de coloração político-partidária. Políticas de Estado e não desta ou daquela gestão.
Em Londres, por exemplo, cidade que tem investido em interessantes políticas para o uso de bicicleta, seu prefeito, Boris Johnson, é do Partido Conservador. Michael Bloomberg, magnata, bilionário e fundador de um dos maiores conglomerados de comunicação, elegeu-se prefeito de NY pelo Partido Republicano e implementou uma verdadeira revolução de políticas públicas para a mobilidade ativa (com ciclovias, ciclofaixas, calçadões e recuperação de espaços públicos).
Enrique Peñalosa, atual prefeito de Bogotá, é reconhecidamente de centro e já fez alianças com a direita conservadora da Colombia na última campanha presidencial. Juntamente com Antanas Mockus foi responsável por uma revolução em Bogotá, especialmente na mobilidade urbana – implementando mais de 300 km de ciclovias e criando o sistema Transmilenio de transporte sobre pneus.
Por outro lado, prefeitos de partidos mais à esquerda também produziram importantes avanços para a mobilidade por bicicletas pelo mundo. Bertrand Delanoë, ex-prefeito de Paris, é do Partido Socialista e foi responsável, por exemplo, pela popularização dos sistemas de bicicletas compartilhadas pelo mundo a partir da implantação do Vélib, em 2007. Um marco na história recente da mobilidade urbana.
Fonte : FOLHA DE SÃO PAULO

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