03 novembro 2015

Trate a enxaqueca com a corrida

O tratamento para enxaqueca existe. Sim, há saída quando aquela dorzinha bem leve em um dos lados da cabeça começa. Aos poucos, a intensidade aumenta, a região começa a latejar e alguns sintomas, como luzes piscando, formigamentos nos braços e nas pernas, náuseas e tonturas podem aparecer. É a tão temível crise de enxaqueca chegando. Apesar de haver um preconceito com relação à doença, só mesmo quem sofre com isso sabe o quanto ela pode ser dolorida, desagradável e incapacitante.

A migrânea, ou enxaqueca, como é popularmente conhecida, é uma doença neurológica, genética e crônica que, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, afeta cerca de 15% da população, sendo três vezes mais frequente entre as mulheres. Não se sabe ao certo as razões para essa preponderância, mas estudos indicam que ela está relacionada aos hormônios e que de 60% a 70% dos casos tenham influência do ciclo menstrual. De acordo com Gustavo Gimenes, especialista em endocrinologia e medicina do esporte, essa associação pode se dar devido à variação dos níveis de progesterona e estrogênio que ocorrem no ciclo. Isso explica, portanto, por que muitas vezes seu aparecimento coincide com a primeira menstruação da mulher. Mas um dos alívios e tratamento para enxaqueca pode ser encontrado na corrida.
CUIDADO, LÁ VEM UMA CRISEQuando a professora de inglês Priscilla Furlan sentia os primeiros sinais de dor de cabeça, ela imediatamente se preparava para o pior. “Se eu não me cuidasse no início, a dor ficava tão forte que eu podia passar mal e vomitar. Algumas vezes, cheguei a perder momentaneamente a visão de um dos olhos”, relata. Para piorar, esse ciclo se repetiu todos os meses, por quase dez anos, sempre que ela estava perto de menstruar. “Eu sabia que a crise ia vir, mas não havia nada que eu pudesse fazer.” Na tentativa de aliviar a dor, Priscilla tomou tanto remédio que, aos poucos, eles deixaram de fazer efeito. “O jeito era pedir dispensa do trabalho, me fechar no quarto e ficar esperando, no escuro e no silêncio, ela passar”, conta ela, que chegou a sofrer com uma crise de enxaqueca durante três dias. “Queria morrer quando alguém achava que era frescura minha, e não eram poucos os que pensavam assim.”
DESCUBRA O SEU GATILHO
De acordo com Viviane Veiga, coordenadora da UTI neurológica do Hospital São José da Beneficência Portuguesa, além do ciclo menstrual, existem outros fatores desencadeantes da doença. “Estresse, ansiedade, períodos prolongados de jejum e alguns alimentos, como enlatados, chá preto e bebidas alcoólicas, são alguns deles.” Os gatilhos para as crises variam de pessoa para pessoa e a sua descoberta nem sempre é fácil. Para descobrir o seu, a pedido de seu neurologista, Priscilla escrevia a sua rotina em um diário. “Descobri que a alimentação influenciava muito e uma das soluções foi, entre outras coisas, cortar o glutamato monossódico, um ressaltador de sabor utilizado em comidas prontas.”
SANTO REMÉDIO
Segundo Viviane, diversos estudos mostram que as atividades físicas, principalmente as aeróbicas, podem reduzir drasticamente as crises e ser um tratamento para enxaqueca, desde que realizadas de forma regular. “Elas são responsáveis por aumentar a produção de endorfinas, neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar, além de melhorarem a circulação sanguínea e diminuírem o estresse.” No entanto, a especialista afirma que, em alguns raros casos, a atividade física pode agir de maneira contrária e ser um desencadeador de crises. Para Priscilla, entretanto, a prática era o ingrediente que faltava para ela se livrar do problema. “Meu médico sempre bateu nessa tecla, mas eu demorei para seguir seu conselho, até que comecei a correr e percebi que a corrida ajudava a diminuir muito a quantidade e a intensidade as enxaquecas”, diz ela, que desde março já não sabe mais o que é ter uma crise. “Sem palavras para descrever, é um enorme alívio viver sem elas.”
FONTES: Gustavo Gimenes, especialista em endocrinologia e medicina do esporte; Viviane. Veiga, coordenadora da UTI neurológica do Hospital São José da Beneficência Portuguesa

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