JUVENTUDES: EDUCAÇÃO:Ex-aluna de cursinho popular hoje ensina alunos no Conjunto Esperança

 A sala de aula sempre foi inspiração para Amanda Duarte Lima, 26 anos. Ensinar era o plano. Foi a vontade de se formar em História que uniu os caminhos da jovem ao projeto Vem Ser, no Conjunto Esperança. Ela soube que um grupo de estudantes universitários montou um cursinho pré-vestibular para ajudar outras pessoas da periferia a ingressar na universidade. Tudo de graça, com aulas no fim de semana. Com esse apoio, Amanda conseguiu aprovação no vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC) e hoje, depois de formada, integra a equipe de professores voluntários do mesmo projeto. A aluna fez-se professora.



“Toda vez que chego a uma nova turma, eu conto a minha história. Quero que saibam que, assim como eu, eles podem realizar um sonho”, orgulha-se. Para Amanda, a troca de experiências pode servir de inspiração para os alunos. Muitos dos professores que passaram pela trajetória dela funcionaram como estímulo para continuar acreditando na sala de aula como lugar de mudança - de si e de tantos outros.

O principal desafio, porém, é tentar mostrar aos jovens - por vezes desestimulados - que a educação é alternativa e não “empecilho” para as resoluções da vida. “Eu tento trabalhar esse despertar. Quero que meus alunos tenham a chance de crescer”. E continua: “A mudança começa quando eles perceberem a educação como algo que ajuda, fortalece, e não como perda de tempo”.

Por acreditar e encarar o ofício com leveza, Amanda também acabou servindo de inspiração para os alunos. Thalita Carolainy da Silva, 17 anos, é uma das jovens que se espelham na professora. Quando chegou ao cursinho pré-vestibular, há seis meses, tinha a certeza de que ingressaria em um curso de licenciatura. Ensinar já era desejo antigo. Mas foi nas aulas da professora Amanda que a jovem decidiu por qual área seguir: optou pela História.

“Antes, essa disciplina era um bicho de sete cabeças para mim. Quem começou a abrir minha mente para a História foi a professora Amanda”, recorda a estudante. A linguagem acessível das aulas foi um dos fatores de encanto. “Ela fala como uma de nós. Não é rígida, chata nem autoritária. É isso que deixa a aula mais leve”, esmiúça.

São essas características que a estudante pretende levar para o futuro, quando a sala de aula se tornar ofício. Em comum, Thalita e Amanda têm a crença de que a educação acumula desafios. E eles só podem ser enfrentados com gente que confia em um jeito diferente de ensinar. É por acreditar que as duas seguem. (Rômulo Costa)
FONTE : JORNAL O POVO

Nenhum comentário:

Postar um comentário