15 abril 2014

FUI DE OUTRO TEMPO...



Amigos...

Fui de um tempo em que as margens do Capibaribe eram horríveis, sem vegetação, carecas.  Os prédios ficavam em destaque, e bom era andar junto ao rio.  Claro que era fétido, ainda mais do que é hoje, imundíssimo.  Um nojo.  Um rio morto de tanta porcaria que recebia ao longo de seu curso e ainda mais porque não dispunha de seu sistema de limpeza, removido pelo homem para dar "vistas" aos moradores de prédios em seu curso.

Passei 20 anos fora da cidade, e só vinha uma ou duas vezes por ano aqui.  Quando voltei a morar no Recife, foi que percebi mesmo como a cidade ficava mais bonita com seu rio emoldurado pelo manguezal.  Como a cidade demonstrou seu apreço a isso, mantendo o manguezal, protegendo ele como berçário natural, atraindo pássaros, peixes e insetos para ele. Um ecossistema recuperado.  Recife não é uma das cidades que mais ame as árvores e o estado de Pernambuco é dos que menos gasta com meio ambiente. Por isso a surpresa. Recife e sua população extremamente viciada em usar o carro, quer espaço para mais e mais carros.  Para isso, espreme, não cuida, derruba, não planta e nem cobra a preservação de suas áreas verdes, abrindo sempre mais e mais espaço para a sanha automotiva.

Agora, essa sanha chegou ao rio.  Querem botar abaixo um pedaço do manguezal para construir um viaduto por cima do rio para implantar o trecho da Beira Rio entre a Ponte da Torre e da Capunga.  A mesma "maluquice" da via Mangue, em Boa Viagem.  Espaço que poderia ser dedicada a uma nova forma de ver a cidade, para as pessoas que ali moram, virando mais um engarrafamento diário. Mais calor, ruído, segregação, agonia.

E ainda tirando meu cartão postal da cidade!

Fonte : Blog pedalando e olhando

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