23 novembro 2013

Crônica sobre Drogas e corrupção

O Departamento de Estado dos EUA divulgou em 01/3/2010 seu relatório anual referente ao ano de 2009 sobre a situação das drogas e corrupção em diversos países do mundo. Este relatório é feito com base em informações do próprio sistema de inteligência norte americano e também considera informações oficiais dos países.
O maior produtor de ópio é o Afeganistão, com 5.500 toneladas/ano. O México tem o primeiro lugar na produção de maconha, com 21.500 toneladas/ano. Com relação à cocaína, os maiores produtores são Bolívia, Colômbia e Peru, produzindo um total de 174.500 toneladas de pasta de coca e 705 toneladas de cocaína pura. No caso da maconha, tem um dado da própria Polícia Federal brasileira que estima que um investimento de US$ 11 mil em uma plantação de maconha dá um lucro de US$ 350 mil. Não conheço nenhum negócio no mundo que chegue perto destes ganhos.
Diante de tanta droga produzida, fica fácil entender porque a humanidade está passando pelos problemas atuais. Corrupção, crime organizado, destruição de todos os valores, degradação da espécie humana, tudo tem a ver com estes números. E, novamente, tudo bem detalhado, com informações que ao ver de um leigo, seriam mais que suficientes para um combate realmente efetivo. Ao ler este relatório tão minucioso, concluo que é tanto dinheiro envolvido, que não interessa nem a quem o elaborou acabar com este mercado. Minha percepção é de que vamos continuar a gerar relatórios cada vez mais completos, cheios de gráficos e informações detalhadas e fazendo reuniões importantes para definir estratégias e planos mirabolantes de longo prazo, sem ter como verdadeiro objetivo acabar com a produção e distribuição das drogas no mundo.
Este relatório faz uma análise de cada país e no caso específico do Brasil, cito alguns pontos:
O Brasil faz fronteiras com os três maiores produtores de cocaína e tem uma importância vital não como produtor, mas como distribuidor. Este relatório mostra que o trânsito ilegal das drogas tem aumentado significativamente através do Brasil. Novamente, eles têm as rotas, as medições das quantidades, etc.. Quanto ao consumo, já temos a segunda posição no ranking mundial, perdendo somente para os EUA, portanto já podemos comemorar, pois a medalha de prata é nossa. Aparecem também o PCC (Primeiro Comando da Capital – SP) e CV (Comando Vermelho- RJ) como os grandes controladores da droga no Brasil, incluindo a distribuição doméstica e internacional, comercialização, etc.. Junto com as drogas também aparecem armas e munições, seqüestros e toda sorte de crimes.
Já quando falam sobre lavagem de dinheiro e corrupção, aparece o governador de Brasília e até o ex-presidente Sarney, como dono de contas ilegais no exterior e fundações com seu nome para receber dinheiro legalizado concedido pelo Estado. Dizem que a corrupção no Brasil é preocupante, escândalos não param de ser revelados pela imprensa e que os processos abertos por crimes de corrupção no governo continuam lentos e poucas condenações foram registradas em 2009.
É triste ler um relatório destes tão cheio de informações e saber que no próximo ano será emitido outro mais bonito, com mais gráficos e detalhes e que muito pouco deverá mudar, em especial aqui no nosso Brasil.
Afinal, este ano nada podemos fazer, pois temos copa do mundo e eleições. Nos próximos anos também não podemos nos dedicar a estes problemas menores, pois temos que nos preparar para as olimpíadas.
Será que algum órgão do governo fará algum comentário a respeito deste relatório? A propósito, ele está a disposição no site da U.S. Depatment of State / Policy Issues / International Narcotics Control Strategy Report.

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